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Domingo, 20 de Maio de 2012
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CCQ - Alternativa para Geração de Riqueza Coletiva

CCQ – Alternativa para Geração de Riqueza Coletiva

Neuza Maria Dias Chaves*
 

Há um certo desconforto quando pronunciamos a palavra felicidade dentro das organizações. Seria a felicidade uma palavra, ou melhor, uma condição incompatível com a geração de riqueza? O que gera a riqueza e para que ela serve? É possível combinar felicidade com geração de riqueza? Ou ainda é a felicidade um estado idealizado, difícil de ser vivida, presente na utopia dos versos, condicionada à pobreza e à aceitação da vida tal qual ela é?

Comparando medições dos resultados do negócio e do clima organizacional podemos entender bem esta relação. Uma pessoa infeliz tem tendência em deixar as coisas acontecerem, sem reagir, intervir ou mudar a situação. Quanto mais pessoas infelizes numa empresa, maior o quadro de pessoas que deixam acontecer ao invés de fazerem acontecer. As empresas fazem pesquisa de clima, constatam seus índices, mas, sem a participação dos empregados, não conseguem atuar de forma abrangente nas causas que vão se somando, para depois emergir sob as mais variadas formas.

É por constatar que não podemos criar antídotos pessoais para a infelicidade que a empresa adota práticas nas quais as pessoas vão ampliando a consciência sobre o seu meio e se habilitando para intervir nele. Isto vem ocorrendo por meio das equipes de CCQ (Círculos de Controle da Qualidade). Estas equipes, formadas por operadores, provocam mudanças em toda cadeia, alterando a cultura das organizações e comprovam que as pessoas podem se sentir felizes ao mesmo tempo em que trazem resultados.

Hoje, no Brasil, temos empresas como AmBev, Sadia, Multibrás, Embraco, Acesita, CSN, Usiminas Mecânica, Supermercados Bompreço, Mineração Caraíba, Caraíba Metais, Politeno, Valesul, Cia Paraibuna de Metais, Cia Itabirito Industrial, Siderúrgica Barra Mansa, Cia Mineira de Metais, Santista Alimentos, Springer, Gerdau, Sthil, Weg e outras mais que comprovam, dia-a-dia, o quanto estes grupos são ativos na geração de riqueza.

Acompanhamos, atualmente, 127 empresas, com 7397 equipes e que totalizam 46.777 participantes. Estes números são bem maiores se forem consideradas empresas que não contam com a nossa orientação. São pessoas que aprendem a fazer do seu cotidiano um insumo para geração da riqueza própria, que é o conhecimento. Este conhecimento é utilizado na empresa, mas é, principalmente, um bem de cada um, que ninguém lhe tira ou lhe impõe a utilização. Já existem equipes de CCQ que praticam este conhecimento em comunidades, ajudando as pessoas na solução de problemas que muitas vezes afetam as suas vidas.

E porque o CCQ torna as pessoas felizes e ainda é um gerador de riqueza para a empresa e sociedade? A maior parte do tempo de trabalho numa empresa precisa estar voltado às rotinas preestabelecidas, nas quais as pessoas utilizam um conhecimento dominado. Com o tempo, esta rotina de desempenhar atividades já conhecidas deixam as pessoas entediadas e, às vezes, até mesmo desatentas, sujeitas a erros e acidentes. Trata-se do entorpecimento dos sentidos, devido ao hábito de ver, ouvir e sentir as coisas como são.

O programa CCQ, por ser espontâneo, proporciona a liberdade que as pessoas precisam para buscar, dentro da empresa, algo além do obrigatório e que lhe interessa e dá prazer. Ao ser reconhecido pela sua criatividade, o indivíduo se realiza, pois pode provar para si mesmo que é capaz de superar aquilo que foi traçado por outros. Este é um momento de grande felicidade, onde há ganhos para a empresa, para a equipe e para cada um.

O CCQ atua como um despertador diário, transformando o ambiente em um campo de pesquisa, onde cada um se torna um detetive à caça de problemas. O senso de observação vai sendo aguçado a todo momento e os problemas vão sendo resolvidos em equipe, com uso de método e ferramentas adequadas à sua complexidade. E quanto mais pessoas participarem do CCQ, maior será o nível de saúde mental presente na organização, aumentando a confiabilidade e capacidade de gerar riqueza. As organizações não tem do que reclamar, pois obtém no mínimo cinco vezes de retorno financeiro sobre o capital investido nestas equipes. Isto considerando apenas o retorno financeiro, pois ainda não inventaram uma forma precisa de mensurar os ganhos com a satisfação dos empregados. Quanto vale um empregado satisfeito?

Sendo assim, temos que nos render. Um produto não pode ser melhor do que aquilo que pensamos e sentimos, pois é o nosso padrão mental que define a qualidade de nossas obras.

* Neuza Maria Dias Chaves é membro do conselho deliberativo da UBQ-MG e consultora da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG).

Para saber mais sobre este assunto mande um e-mail para eventos@ubq.org.br

 

 

 



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